Nos 2 anos e meio de idas e vindas, São Paulo pensava que eu não a amava e eu pensava também.
E minhas lembranças iniciam com o avião preparando-se para aterrissar em Congonhas. Ora vinha a sensação dos edifícios estarem perto demais, ora a lembrança do acidente com o airbus da TAM.
Quando eu chegava, sempre chegava o frio e minhas constantes reclamações.
E dá-lhe não conseguir dormir sem aquecer os pés debaixo do edredon, e aquele festival de livros e fones de ouvido e pessoas cochilando no horário de pico.
Já confundi fumaça com neblina em fim de tarde, recebi 50 reais falso na bilheteria do metrô e me assustei ao ver um garoto preparando cigarros de maconha ao meu lado no ônibus às 9 da manhã.
E era o trânsito, o engarrafamento, a 1h e 45 minutos que eu levava pra ir e vir da casa pra universidade e vice-versa.
Com o tempo esse percurso melhorou após a construção da estação Butantã!
Uma coisa que São Paulo não sabe é que às vezes eu negava esse trajeto e saía da USP pro metrô Vila Madalena só pra parar um pouco na estação Sumaré. Eu gostava de ver aqueles vidros com rostos tão paulistas estampados.
Meu coração era da Avenida Paulista, meu lugar favorito em Sampa! Do Paraíso à Consolação, ou da Consolação ao Paraíso, dependendo do meu humor no dia. Eu adorava sentar em um daqueles bistrôs, pedir um café e ficar observando a multidão que passava... E ninguém comenta que a melhor pizza e o melhor sushi que já comi foram em São Paulo. Também não vou negar que a pizza paulista só perde pra nossa Maria Bonita, com queijo coalho e carne-do-sol!
Um segredo revelado é que dancei mais forró na Terra da Garoa do que no Nordeste de Luiz Gonzaga. Nunca fui tão nordestina na minha vida como eu fui lá. Mas uma das minhas maiores alegrias veio quando, um dia, minha tia me teceu o seguinte elogio: "Nega, você tá paulista, paulista!".
Ufa! Passei no teste!
Fiz tantos amigos! É a saudade de gente de toda parte do Brasil e do mundo que me dá a alegria de estar viva! E como é bom deixar um pouquinho de si e trazer um pouco do outro, olhar o diferente sem medo, culpa ou necessidade neurótica de transformação.
Obrigada minha São Paulo!
Você agora acredita na minha declaração de amor no dia do seu aniversário?
Você acredita que, se eu pudesse, seria sua vizinha só pra me sentir um pouquinho paulista novamente?
Parabéns Terrinha!
Envio da Terra da Luz, 460 mil beijos para tudo e todos que eu amo na Terra da Garoa!
Clara Mítia (Sobral, 25 de janeiro de 2014. Aniversário de 460 anos da Terrinha da Garoa)
![]() |
| São Paulo vista do alto (Prédio do Banespa - o ponto mais alto da cidade), outubro de 2011. |


Nenhum comentário:
Postar um comentário