domingo, 26 de janeiro de 2014

Eu e as palavras

Hoje minha mãe disse: "Clara, você deveria ser colunista do Diário do Nordeste. Desde pequena gostou de escrever. Sabia que existe essa profissão?"

Bem, ainda não pretendo ser colunista, mas minha aventura com as palavras começou na 3ª série quando fiz a primeira poesia para o meu cachorrinho Maik. Poesia de 3 estrofes com 4 versos cada. Havia esquecido de fazer a lição de casa. Estava triste porque na mesma semana meu pai nos fez doar nosso primeiro cachorrinho. De carteira em carteira, Tia Rogéria tinha mania de verificar quem havia feito a lição. Sorte a minha! Eu estava no meio da sala. Ainda havia tempo e a tarefa era 'simples': escreva uma poesia. Naquela hora, com a Tia se aproximando, percebi que as palavras poderiam ser amigas do meu coração e me salvarem do momento angustiante. Escrevi rapidamente. Não sei se a Tia percebeu meu improviso, mas minha mãe chorou comigo quando lemos juntas ao chegar em casa. Até hoje minha mãe guarda essa poesia, acompanhada do desenho do Maik com suas pintinhas, e as inúmeras cartinhas que eu escrevia pra ela. Era só o começo da amizade com as letras...

Ainda hoje escuto minha mãe dizer que muito tenho que agradecer à Tia Ilma, minha primeira professora de redação. Coitada, suportou por anos e anos minhas redações com os personagens dos Cavaleiros do Zodíaco. Era cada nome esquisito em situações corriqueiras, que ela deu graças a Deus sairmos do gênero narrativo para o dissertativo. Um dia ela me disse: "Clarinha, vire o disco.". Respondi: "Tia, gosto desse disco. Deixe ele tocar!". Guardo boa parte delas.

Agradeço o primeiro 'zero' que recebi na vida. Foi em redação quando aluna da D. Silvana. O motivo? Fugi do tema. Na hora achei injusto! Nenhum erro ortográfico e ZERO? Estava ali aprendendo a humildade... Bendito zero! Sou também muito 'agradicida' ao meu querido Marcos Melo. Ele gostava de enxergar nossas entrelinhas quando corrigia nossas redações. Acho que por isso ele me ensinou tanto...

Quanto à minha mãe e sua sugestão de ser colunista, respondo: "Mãe, obrigada por que você sempre gostou de ler minhas aventuras com as palavras. Se eu puder continuar escrevendo colunas em seu coração, estarei feliz por toda a vida!"

Clara Mítia (Sobral, 19 de janeiro de 2013)






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