Para mim nada é mais confortante do que o descanso frente à fonte do
Centro de Convenções após minha hora de exercícios quase diários.
Dias
minha atenção migra para o som da cachoeira improvisada, em outros é a
lua que desponta no horizonte ou a estrela acima da minha cabeça.
Hoje o alvo de minha atenção foi um casal e sua filha de pouco mais de dois anos.
Estava o casal sentado e a garotinha brincava perto dos pais enquanto eu observava no banco ao lado.
Quem conhece a região sabe esta é visitada por bichanos de vários tipos e dessa vez fomos visitados por um branco com amarelo.
"Olha
o gatiiiiiiiiiiinho", gritou a menina e pôs-se a brincar de
esconde-esconde. Geralmente bicho entende a linguagem das crianças.
A mãe, sem levantar-se do banco, disse: "O gato vai lhe morder, filha!". E falou uma, duas, três... vezes.
O
gato, intuindo a má impressão aparente, deitou-se em cima das patinhas e
fitou a menina com aquela cara de quem não estava entendendo nada (só
quem tem gato sabe o que estou dizendo, quando ele nos olha colocando as
orelhas para trás).
A criança continuou apontando e pulando e gritando: "Gatinho, mamãe! Gatiiiiiinho!".
A mãe continuava: "Ele vai te morder! Cuidado!", e o gato permanecia com as orelhas para trás como descrevi.
Insatisfeita, a mãe ainda dizia: "Não vai pra grama! Aí tem cobra, filha! Cuidado! Você vai cair na água!".
E falou novamente uma, duas, três...
Daí chegou a hora de ir embora e o gatinho permaneceu deitado ao aceno da garota.
Fiquei pensando com quantos medos aquela criança foi bombardeada naquele pequeno intervalo de cinco minutos.
Olhei para trás e vi que o casal estava quase entrando no carro.
Olhei pro gatinho e fiz aquele gesto comum: "Vem bichano!"
E
ele veio, fez um carinho na minha mão e eu fiquei torcendo para a
menininha olhar para trás e ver que o gatinho não mordia, que não havia
cobra, e que ela não ia cair na água...
Clara Mítia (Sobral, 13 de janeiro de 2014. Talvez pensando no final da história...)

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