sábado, 25 de janeiro de 2014

Amor inútil


Meu amor inútil é coberto de pelos, anda sobre quatro patas e atende pelo nome de Tom. Insistente, pede atenção com um miado que parece de fome, mas não é. Desde pequeno saltita pela casa em uma alegria estranha, carimbando as patas nas paredes e sofás como se dissesse: "Aqui mora gente feliz!".

Como adolescente asneiro, meu amor um dia despertou para para a vida noturna. Eu não queria gatinhos órfãos por aí, era o jeito castrar o único sinal de masculinidade exposta. Um testículo ele mostrou, o outro escondeu. Castrado, fez questão de não não perder os hábitos boêmios. Afinal, 
alguém tinha que me ensinar que não posso ter controle sobre tudo...

Tom bebê

Quanta preguiça! Por vezes, chegando cansado das noites enveredadas, já não sabe se come ou se dorme. Nessas horas meu pequeno apenas deita em frente ao prato de ração e, numa patada certeira, esparrama o conteúdo inteiro no chão só para comer deitado. Vai entender...

É amor e ódio em um único miado. Te odeio quando você some por dias seguidos e retorna magro, carente e faminto. É hora do banho, Whiskas e alívio! Te amo quando te pego no colo, cheirando a shampoo de filhote e a gente deita na rede pra ver a lua. Converso de um lado e você mia do outro, como se a gente se entendesse em alguma linguagem inútil que só compreende os que, de alguma forma, amam...

Clara Mítia escrevendo com o Tom no colo (Sobral, 8 de janeiro de 2013).




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leia também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...