quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Eu creio

Porque o que eu mais amo é o brilho nos olhos,
as mil vidas que posso tocar com o simples movimento das mãos.
Infinitas possibilidades se abrem perante um único verso,
uma frase, uma seta indicando um novo caminho.

Professor é profissão que não cabe em si mesma.
É magico, poeta, jardineiro.
É mergulhador em busca de tesouros perdidos,
é astronauta visitando mundos estranhos,
é quem ajuda a matar a sede de fomes estranhas.

Porque eu amo ver o medo que não existe mais,
amo ver a flor, antes amarrotada, que não mais receia se expor ao sol.
O tímido e o falante descobrem o seu lugar.
Os sonhos se devolvem e uma nova vida desperta bem ali diante dos meus olhos.
Por que eu amo acordar e todos os dias professar o meu credo: EU CREIO NA EDUCAÇÃO!

Clara Mítia (Tianguá, 27 de fevereiro de 2014. Um mega abraço a todos os meus alunos e ex-alunos. Obrigada por fazermos história!)





terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pollyana

São tantas Anas dentro dela 
Uma corre, outra anda
Uma odeia, outra ama
Uma é mulher, a outra ainda criança
Uma chora, a outra dança

Eu, Pollyana




domingo, 23 de fevereiro de 2014

Varanda

Sempre pedi a Deus para morar em um lugar de onde eu pudesse ver o nascer e o pôr do sol.
Acho que Ele atendeu o meu pedido!

Tianguá/CE, fevereiro de 2014

Amores estranhos

Te amo no silêncio,
nas flores, no vento, na música que toca.
Te amo no abraço do amigo, nas cadeias que prendem o meu peito,
nos cavalos que galopam aqui dentro querendo liberdade.

Te amo no barulho do trânsito que invade meu apartamento,
na água gelada do banho frio,
no cheiro de café recém passado umedecendo meus lábios.

Te amo na minha cor favorita de batom,
no perfume que amanheceu o dia entranhado na pele,
te amo na razão e na certeza da imagem que vejo no espelho.

Te amo na pressa, na calma, na rotina, na estrada.

Te amo na ausência do descanso das minhas palavras.

Te encontro na nossa música favorita,
buscando desesperadamente mais uma vez ouvir as batidas do teu coração...

Clara Mítia (Tianguá, 23 de fevereiro de 2014. Assim, numa manhã qualquer...)




sábado, 22 de fevereiro de 2014

Dias nublados

Era uma vez 
Nós, nossa amiga e sua dor.
Lembro-me de todas ali naquele quarto cinza dentro, cinza fora.
Estávamos nubladas.
Nos olhos dela só chovia e em nós, nenhum sorriso fazia sol.

Não sei se ajuda ou se melhora o silêncio forçado nessas horas.
Confesso aqui que tudo o que eu mais queria era juntar-me ao choro descontrolado e ao emaranhado infinito de perguntas procurando um motivo para aquela tempestade.

Dor de amigo é dor que vira nossa.
A gente cala e chora também.

E tudo o que tínhamos era nossa amiga envolta em lágrimas,
a lembrança estampada na parede,
o perfume do último presente de aniversário,
as fotos,
os sonhos que seriam concretizados em tempos vindouros.
Seriam...

No céu, nenhum resquício de raios de sol,
em nossas mãos, a sensação impotente de não saber o que falar, o que fazer...

De repente, o convite tímido: "Vamos arrumar o quarto?"
Os olhos sorriram entre si.
Guardamos o perfume na gaveta, trocamos a posição das fotos do mural.
Tiramos a poeira das estantes, portas, janelas e molduras.
A nossa amiga levantou-se para a cama ganhar roupa nova.
"Vamos fazer suas unhas!"
Nas gavetas, ajudamos a separar as roupas limpas, as sujas e as lembranças que apareciam a cada reviravolta. 

Dizem que arrumação de dores começa pela arrumação do quarto...

Pausa para o sorriso, pausa para a lágrima.
E foi assim que aquele cabelo cor de ouro tornou-se o nosso sol naquele dia nublado...

Clara Mítia (Tianguá, 22 de fevereiro de 2014. A todas que estavam lá naquela manhã nublada, à minha amiga que todos os dias desafia as tempestades com seu cabelo de sol...)





sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Feliz São Valentim!

Aos amigos, aos casais que se enamoram de longa ou de curta data.
Aos que amam e são amados, aos que querem amar.
Aos que amam o quanto é bom saber que dentro daquele peito existe um lugar que podemos chamar de casa. 

Aos que amam retornar e encontrar a cama feita, a mesa posta, o sorriso familiar.
Aos que têm amores de longe, de perto, na terra ou no céu.
Aos que amam sem serem correspondidos, aos que não sabem que são amados.
Aos que têm amores de quatro patas ou coisa parecida.
Aos que amam o que fazem e fazem o que amam.
Aos que sabem que a única coisa que importa nessa vida é esse "não sei o que" que a gente sente quando há amor pulsando, escorrendo dentro e fora de nós.

Happy Valentine's Day for all!
Buon San Valentino a tutti!
Feliz San Valentín a todos del mundo!
Feliz São Valentim para todos nós!

Clara Mítia (Tianguá, 14 de fevereiro de 2014. Dia de São Valentim!)




domingo, 9 de fevereiro de 2014

Carta Celeste


Não, obrigada!
Tenho coisas mais importantes a fazer, obrigada!
Tenho que observar as estrelas do céu noturno e beber o leite da Via Láctea,
Tenho nomes de Alfas pra decorar e desenhos pra fazer no firmamento.

A carta celeste do mês de junho me espera!

É hora de retirar a poeira!
Tenho que dedilhar constelações de acordes no meu violão,
Quero plantar novas estrelas no meu jardim,
E parar pra ouvir a melodia da chuva tocando minha janela.
Tenho que dar música às sementes que tiro do coração.

Não, obrigada!
Tenho coisas mais importantes a fazer!
Obrigada!


Clara Mítia (Sobral, 13 de junho de 2013. Paixão antiga!)


Avenida Paulista

Por mil vezes faria de ti meu tapete, só para mais uma vez sentir no peito esse "não sei o que" que sinto toda vez que vou do Paraíso à Consolação.



Ressurreição

Depois que Cristo passou pela terra, 
Ele esqueceu sementes de ressurreição.
E se a Dança me ressuscita, 
Terei o prazer de ser chamada da região dos mortos
Toda vez que me for feito um convite para o salão...

 


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Café com detalhes

Bato à porta
O cheiro de café me convida a vencer os limites do portão
Nessa tarde de sábado  
Cada detalhe me remete que estamos no aconchego da amizade 
É o detalhe da tua presença com roupa de casa 
E a pia com louça ainda pra lavar 
Não, não precisa temer meu olhar sobre as panelas manchadas preparando a janta no fogão 
Nos servimos da intimidade 
Em casa de amigo, certeza aconchegante é estender o alimento na mesa um do outro 
"Tu não morrerás de fome jamais!" 
Cheguei para tomar café contigo
Eu trouxe o pão

Clara Mítia (Sobral, 07 de fevereiro de 2014. Texto escrito a pedidos do meu amigo Jocely Filho, proprietário do Café com Detalhes, em Ubajara/CE)




Replay

Ouvi dizer que recordar é apertar o replay do coração...





Profundidades

Não gosto muito de me conformar com as superficialidades. 
É o que hoje há de mais comum nos olhares, no primeiro encontro, no sorriso falso. 
É verdade que quem fica na superfície sofre menos, mas também não saboreia dos tesouros reservados aos corajosos. 
Eu também tenho medo… 
Conseguirei ser devolvida à superfície? 
Nessas horas relembro que meu Mestre um dia ordenou, “ide às águas mais profundas”. Quem sou eu para não obedecer?
Da próxima vez que me perguntarem o que faço da vida, responderei: sou Caçadora de Profundidades… 


Clara Mítia (São Paulo, 17 de setembro de 2012)



Intervalos

Tempo
O que te faz o mais lindo dos deuses, são os teus intervalos...
 


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Comunhão

Gosto da possibilidade de construir pontes.
Não há necessidade de destruir as estruturas originais, igualar o terreno.
É necessário apenas a comunhão, o espaço onde se possa ir e vir.
Eu visito o seu espaço e você visita o meu.
Eu conheço os rios que correm do seu lado e lhe convido para observar minhas nascentes.
Daí a gente encontra pontos de comunhão, pode ser na vegetação ou nas formações rochosas.
Onde não há semelhança, o solo é sagrado!
Podemos retirar as sandálias dos pés para tocar as diferenças.
Isso renasce minha esperança na humanidade. 

Em você também?

Clara Mítia (Sobral, 23 de junho de 2013. Talvez um pouco intrigada com ideologias que não constroem comunhão...)


 


Em DÓ maior


 
Quem dera eu parar e me fazer um SOL 
Pra iluminar o escuro que teima em fazer-se  
Pra RElembrar sem medo a história que passou
Pra desFAzer o nó da linha do meu labirinto
Cansei de dedilhar a mesma nota como em uma mica
Tentando te fazer entender aquela laba
Aquela laba,
Aquela SÍ-LA-BA 

Clara Mítia (Sobral, 03 de fevereiro de 2014. Uma música de 2013)


Bem assim

Quando certas coisas não saem da cabeça,  
por um tempo eu as permito ficar! 
O incômodo de um ninho de passarinho  
é sempre superado pelas cantorias ao amanhecer! 



Ansiedade


Senta aqui!
Parece cansado!
Quer beber?

Deixa eu quebrar meu perfume sobre os Teus pés
E enxugá-los com meus cabelos guardados só para Ti

Senta aqui!
Almoça comigo!
Não repara a bangunça,
Repara a lágrima teimosa!
Ela também quer se mostrar.

Senta aqui!
Senti a Tua falta!
Por onde andavas?

Se estivesse por aqui, será que a morte teria chegado à minha tenda?
O vinho teria acabado?
Teria faltado o pão?

Senta aqui!

Clara Mítia (Sobral, 03 de fevereiro de 2014)






quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Pés Cansados

Se Ele me dissesse:
"Vem também caminhar sobre as águas!"
Juro que eu iria acreditar!

Camocim/CE (fevereiro de 2014)

Gênero Apis

Para entender do universo das abelhas...

Não me confunda com as Melíponas
Eu Abelha Africanizada
Muito mel
Favos perfeitos
Cuidado com o ferrão!




Passado simples


Não sei se foi o tempo quem me parou
Ou se foi o amor quem me parou no tempo


Não sei se é a estrada que move meus pés
Ou se são meus passos que buscam novos caminhos
 

Não sei se as estrelas me conduzem
Ou se é meu astrolábio que busca a alfa da mais nova constelação...


Não sei
Sorrindo digo que não sei 


Clara Mítia (Ubajara, 16 de setembro de 2013)


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Noite de Garoa

Caminhávamos de mãos dadas enquanto a maior cidade do país parava devido a chuva.
Eu vencia minha gastura de molhar os pés na garoa.
Ele nos localizava.
Éramos quase que um contratempo na dança...



Pés Amigos

Amizade não é pegada na areia.
Olhe pra trás!

Da esquerda pra direita: Léia, eu e Letícia. 
Amigas curtindo a Duna do Por do Sol em Jericoacoara/CE (2011)

Condução

Se é Deus quem te conduz na 'dança da vida', pode ser que uma hora Ele te convide a girar.
Giros são assim: podem durar pouco ou um pouco mais do que estamos acostumados.
O desafio de quem está girando é confiar em Quem conduz a dança, e ter um ponto fixo no meio do caminho.
O melhor ponto fixo são os olhos do Condutor.
Você gira, mas sabe pra onde olhar para não perder o equilíbrio e ir de encontro ao chão.
Quando o Condutor é bom ainda tem o detalhe que, mesmo perdendo o equilíbrio, existem braços fortes em quem a gente pode confiar...

Quem te conduz na Dança da Vida?

Clara Mítia (Sobral, 23 de junho de 2013. Refletindo um pouco e aprendendo a achar pontos fixos na hora de girar na dança da vida ou de salão)

 






Ao Amigo Criador


Quem criaria a amizade a não ser Quem tem sede?
Sede precisa ser saciada.
O amor é sedento por si só.
Ele não se basta!
Ele quer a quem amar.

Obrigada Amigo Criador, que na Tua ânsia sedenta criou almas que se reverenciam, fontes em meio ao deserto, rosas para as quais retornamos após a nossa busca, pílulas diárias de esperança para sarar as mazelas do coração.

Obrigada Amigo Criador, por tamanha imperfeição, incompletude que nos faz assumir: "eu quero, eu preciso de você!".
O poeta tem razão ao dizer que não suportaria se perdesse todos os seus amigos. Perder amigos é ser podado nas raízes. Eu também morreria.

Obrigada Amigo Criador!
Tenhos Josés e Marias latejando no meu peito!
Tenho Piulas, baixinhos no Céu, almas semelhantes à minha.
Tenho amigos que nasceram na dor, amigos que nasceram no amor, na gastura inicial, na paciência, na admiração.

Tenho amigos de infância, amigos com quem falo todos os dias, amigos que vejo anualmente, mas a sensação é sempre a mesma: "Aonde foi que paramos? Tem algo que preciso contar para você!"

Tenho amigos que compartilham os mesmos passos na dança, amigos que lêem meus olhos e traduzem as palavras que minha alma ainda não sabe dizer.

Tenho amigos que passaram pela minha vida.
A despedida foi um pedido ao tempo para que este parasse ali mesmo e se fizesse eternidade.
Tenho amigos que ficaram, amigos que cobriram meu corpo na noite de frio, amigos que seguraram minha mão quando não havia ninguém conhecido por perto, amigos com quem compartilho a mesma direção para onde olhar.

Obrigada Amigo Criador!
Porque o amor é uma tesoura que corta distâncias e as torna tão relativas!
Obrigada porque os nossos defeitos adubam o jardim que fizemos questão de plantar.
Obrigada porque na casa da Amizade há sempre uma cerca a ser derrubada, um cômodo a ser construído, uma fonte de água para a sede confortar.

Obrigada Amigo Criador!

Clara Mítia de Paula - meu nome seria incompleto sem os meus amigos.
Amo vocês! A gente se reconhece! Sempre!

(Sobral, 20 de julho de 2013. Dia do Amigo)


 

Diário de bordo

Passeio na Tua História
Em um segundo viajo pelas Américas
São tantas línguas no solo do Teu Coração
Em vez de assombrar-me, as profundezas do Atlântico me estimulam a atravessá-lo
Desejo calçar os meus pés em Tua Terra
Matar a Minha Sede na mesma fonte em que Tu bebes
Quero provar dos Meus Sabores que não são mais os mesmos
Meus Sonhos também não
Assim pareço ter mundo inteiro em uma gota d'água
Tudo ao alcance das Minhas Mãos
...

Clara Mítia (Ubajara, 10 de setembro de 2013)
 

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