terça-feira, 26 de agosto de 2014

Sentido

"O que é vocação?"

Não tenho respostas teológicas.
Tenho apenas um coração que ama as perguntas.

Nos meus tempos de adolescente, pensava que vocação seria um chamado de Deus. Não foram poucas as madrugadas em que esperei ouvir Dele claramente: "o caminho é por aqui". Não aconteceu. Pensava que esse chamado específico me faria mudar o mundo. Quando jovens, temos ideais de grandeza e síndrome de super-herói.

Recentemente a pergunta recorrente me veio acompanhada de uma resposta, talvez. Chegou sem alardes, enquanto preparava mais um dia de trabalho. 
"O que é vocação?"

Dessa vez retirei todas as grandezas e até perceber que vocação é um presente de Deus para dar sentido à vida. É simples. Começa dentro do peito de forma muito silenciosa. Trabalhamos construindo um caminho no qual a única certeza é que a vida tem sentido. É o que vale a pena ser executado apesar da morte que um dia baterá à porta. Talvez isso um dia extravase para o mundo inteiro. Talvez não.

Penso nas escolhas que fazemos, vejo o mundo cada vez mais infeliz e repito a pergunta:
"O qué vocação?"

Clara Mítia (Sobral, 26 de agosto de 2014. No intervalo do trabalho de um dia qualquer...)


sábado, 16 de agosto de 2014

Sobre monstros - Parte I



Essa constatação faz parte dos tormentos noturnos de muitos de nós.
Tem gente que não come, não dorme, não estuda direito com medo dos monstros debaixo da cama.
Dois deles são irmãos e parece que um não vive sem o outro.
O mais velho é o chamado EuNãoGostoDeLer. Gordo e grandão fica estacionado impedindo toda e qualquer evolução. O monstrengo mais novo é horroroso e aparentemente pequeno, conhecido pelo nome EuNãoSeiEscrever. Dizem que é ele quem deixa seus textos confusos efaz você passar uma vergonha danada diante de uma (ou várias) correções.
Quer mandá-los embora?
Reza a lenda que cheiro de páginas de livro é um bom remédios para afastar o primeiro. Tratamento ancestral! Resultado garantido! O bichinho foge mesmo você começando com doses homeopáticas. O segundo, como é burrinho, corre atrás do irmão.
Pronto! Dois coelhos, uma cajadada só!


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Prece



Não,
O mundo não é um lugar confortável.
Vejo os espinhos sufocando a semente,
a voz clamando no deserto,
vejo o sangue dos meus misturando-se à poeira do chão.
O desconforto trava minha garganta e o que chove pelos meus olhos é pouco demais pra matar a sede de alguém.

Por vezes o deserto do mundo faz aridez no meu peito.
Não consigo produzir beleza.
Só tenho palavras retirantes, famintas e sedentas, buscando um sentido para estarem nessa existência e só.

Qual segredo esconde-se na terra ressequida?

Hoje meu pequeno mandacaru floriu novamente.
Sigo tentando aprender com ele que faz brotar a vida em forma de prece para os irmãos...

Clara Mítia (Sobral, 12 de agosto de 2014. Quando a dor do mundo enraíza dentro do peito também...)



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

I'm back!

Definitivamente, não amo calado.
Eu grito, canto, corro, pinto de arco-íris as paredes de qualquer lugar.
Meu coração é ligado à minha boca.
Quem me vê sorrindo sabe!



terça-feira, 24 de junho de 2014

Um conto para os meus pés



Na minha adolescência, durante um final de semana de praia com os amigos,

vislumbrei-me com um pequeno caminho de água que corria pela areia em direção ao mar.
Juro que pensei ser água limpa pela aparência e ausência de odores. 
Com a ingenuidade de quem ainda não havia aprendido com a vida, 

ousei banhar meus pés no pequeno riacho.
Uma das minhas amigas olhou para trás como quem não entendera o acontecimento. Perguntou-me: 

"Clara, o que você está fazendo?"
Respondi: 

"Olha que bonitinho! Dá pra banhar os pés aqui!"
Assustada, ela disse: 

"Amiga, isso é um esgoto que vem daquelas casas. Você não está vendo? Olha!", 
e apontou-me a nascente do que eu pensava ser água limpa.
Como perdoar os meus pés por aquele engano?
Passei dias sentindo nojo e perguntando-me incessantemente: 

"Por que não olhei mais adiante? Por que não desconfiei dessa água?" 
...
Passou o tempo.
Não são raras as vezes que sinto o mesmo daquele dia, 

quando percebo que nem tudo o que aparentemente corre limpo em direção ao mar, 
é água com espírito de dignidade...

domingo, 8 de junho de 2014

Resposta

É doloroso admitir
Que muito ando em busca de respostas
Pergunto-me o tempo todo
Dirijo minhas indagações a Deus, à vida, ao amor
As surpresas da vida me causam estranheza,
às vezes...
Talvez queira me fazer companhia o mistério
...




sexta-feira, 6 de junho de 2014

O sonho dos meus pés

Aqueles dias em que o único desejo
é querer que o sonho se faça realidade.
Assim como na praia,
esperamos que o resquício da onda venha banhar os nossos pés....

Eu que amo o Sol ciumento e os meus Verdes Mares (Camocim/CE, junho de 2014).


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Gosto

Se perguntarem que gosto tem o sertão,
digo que tem gosto de caju.
"Ora, e que gosto tem o caju?"
Tem gosto de sertão!

Caju fora de época, havia só ele em todo cajueiro. Ele esperando por mim, só para mim. (Junho de 2014, visita ao Projeto Cabra Nossa de Cada Dia)


Interruptor

 
A pessoa que mais me falou de liberdade
Foi a mais paralisada que conheci
Parecia pássaro preso na gaiola 
Falando da fome de voar e não podia

O "eu te amo" mil vezes carimbado
Nada mais foi que uma quimera
Não era verbo encarnado no meio de nós

Observei o confuso, o desconexo
Aquela mentira travestida de amor por terceiros

Acendi a luz...




sexta-feira, 30 de maio de 2014

Amor bipolar

Ele tem um coração na patinha ou são dois?

A patinha cheia de corações do Agnaldo (maio de 2014).



Vista

 
No meu quarto há duas janelas: 
uma aponta para o leste, a outra para o sul.
Recentemente, de um lado havia céu limpo, azul e sol.
No outro estava nublado.
O mesmo quarto, duas janelas, dois avessos.
Faria chuva ou faria sol?
Talvez a aventura pelo conhecimento seja assim, 

meio que feita de estações...

Sim,
o meu quarto tem duas janelas.
Uma me dá o sol nascente quase todos os dias.
A outra, o Cruzeiro do Sul em noites de verão. 

De um lado recebo esperança.
Do outro, direção...



segunda-feira, 26 de maio de 2014

Carne

Deus de Nazaré,
peço para amar a palavra que se torna corpo,
a poesia que, antes de sair pelos meus dedos, vira gesto
ação, amor, próximo.
Verso bom talvez seja aquele 
que se faz carne e habita no meio de nós.





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Lamento

Por aqui a chuva cai feito dilúvio
Aproveito para desaguar choros ainda escondidos
Talvez o som dos trovões abafem os meus gritos
E a água lave a terra do passado que ficou
Pela primeira vez não desejo o sol
Peço que chova, chova, chova
Até que cesse tudo dentro de mim...





segunda-feira, 19 de maio de 2014

Aparição

Era madrugada na Princesa do Norte,
o Conde Drácula de Bram Stoker me fazia companhia em uma dessas noites quentes da qual estamos acostumados.
Nenhuma rajada de vento pra consolar.

Reinava o silêncio.
Entre histórias vampiros, mocinhas e homens corajosos,
senti uma aproximação,
não sei se estranha ou familiar.

Levantei lentamente,
observei uma das janelas mas não havia nada que se fizesse suspeito.
Mas o outro lado do quarto com a janela aberta me esperava.
Caminhando no escuro, prendi a respiração. 
A cada passo o medo se fazia mais presente. 
Quem estaria me observando a essa hora da madrugada?
O escuro me revelou os olhos enormes, brilhantes e aquela mancha na patinha a qual eu conhecia tão bem.

"É O TOM! BICHANDO INGRATO! POR ONDE ANDOU, SEU BANDIDINHO?"

Meu pequeno Conde Drácula (Maio de 2014)

A pedra e o rio

Às vezes é tempo de refletir
O que fica e o que sai do sepulcro?
O que ressuscita, o que não volta mais?

Passam o tempo e as dores
Fica a vida carimbada em outras tantas
Ficam o sorriso, a estrada e a direção
 

Eu fico com o silêncio
Só preciso ouvir o rio que corre
Latejando aqui dentro do peito

Ele beija a vida, olha para a terceira margem e vai...

Clara Mítia (Sobral, 18 de abril de 2014)


 

sábado, 17 de maio de 2014

Quase 365 dias...

"Alô? É o gato mais gato da Prefeitura?"
Há quase 1 ano aperto o replay do coração só pra pensar no bem que me causava o som da sua voz.
Engraçado,
Ainda não apaguei teu nome da minha agenda telefônica.
É um consolo saber que seu lugar ainda continua lá.

Confesso que as minhas digitais decoraram as geografias das tuas mãos tão maltratadas pela dor do tempo.
Inconscientemente também decorei o macio dos teus cabelos ralos.
Tinha medo de ficar sem te sentir por muito tempo...

Meu amigo,
como tua presença me faz falta!
Não tenho mais teu elogio, 
teu ombro pra eu encostar minha cabeça, 
as bobagens que me falavas ao telefone.
Sinto falta da tua presença tão frágil que me dava a sensação de eu ser tão forte!

Meu baixinho,
Você me devolveu a vida quando eu já não tinha mais forças.
Deu-me um novo olhar quando minha vista embaçada estava.
Fez-me enxergar um mundo novo dentro e fora de mim.

Como Deus foi bondoso!
Deu-me de presente um gigante escondido em 1,5m,
deu-me de beber de uma fonte tão preciosa, no qual apenas escolhidos puderam matar a sede.
Fonte da qual escorria um amor tão puro e verdadeiro, que certamente, continuará me alimentando por toda eternidade.

Obrigada por ter esperado minha chegada!
Não sei o que teria feito se você tivesse partido sem eu poder tocar pela última vez a sua mão.

Te amo Vida! 
Você sempre teve um altar no meu coração!
De tua amiga sempre certa e que morre de saudades...

Clara Mítia (Sobral, 17 de maio de 2014. Palavras apressadas que não queriam esperar pra semana que vem. Ao amigo mais lindo dessa vida, a um amor que é mais forte que a morte...)



Amor achado

 
Amor é quando você acha uma declaração do seu pai pra sua mãe, 
assim, 
na hora em que você folheava um dos seus livros favoritos. 
Relembrando 2008,
 talvez um dos anos mais difíceis de nossas vidas, 
vencidos porém, 
com uma força que só poderia vir do céu...
 

Achei ontem quando tirei da minha estante "O Mestre Inesquecível" de Augusto Cury. Mostrei pra minha mãe. Ela feliz, sorriu!


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Xeque Mate



É verdade 
A gente joga xadrez
Na realidade, grande parte do tempo passo olhando pro tabuleiro 
Eu e minhas manias de planejar todas as jogadas 

Ele gosta de brincar comigo
Estou me acostumando com suas intervenções
Vez por outra Ele vira o jogo
Parei de pensar em sabotagem
É Ele apenas querendo me fazer ganhar! 


Clara Mítia (Sobral, 21 de abril de 2014)


Neblina


A Ibiapaba é tão linda
Que até as nuvens descem dos céus para beijar o chão. 
Não temos neve mas está tudo branquinho, branquinho! 


Muita neblina em Tianguá/CE. Um espetáculo maravilhoso! (Abril de 2014)




segunda-feira, 31 de março de 2014

Piano, piano


Os olhos já não são mais os mesmos
A boca também não
Não se sente como antes
Sente-se melhor!
Quem cabe no abraço?
Quem fica do lado de fora da cerca?
Salve o tempo,
As marcas,
Os recomeços
E suas partituras...

 
 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Homem da Neve

No teu inverno eterno
Não encontrava palavra alguma que se fizesse sol
Parecia que que as tuas geografias perderam o viço da juventude
Era um velho no corpo de um menino,
Ou o menino tentando arrebentar a couraça antiga para nascer de novo?
Estava tudo congelado
Minha ingenuidade foi querer abrir caminhos que desapareciam
Não havia tréguas no rio cristalizado que caía do céu...

Prossegui.






quinta-feira, 20 de março de 2014

Passarinho

Chovia e fazia frio quando ele apareceu na minha varanda
Aparentando sentir medo
Era a primeira vez fora do ninho

Na alegria do primeiro voo
Não percebeu o vidro como limitação
Esbarrou na parede transparente, 
Bateu as asinhas e, cansado, perguntava o que estava errado
A vida e suas contradições

Tentei conversar: "Está perdido querido?"
Ele me ignorou olhando desconfiado
Eu disse: "Calma que vou te ajudar."
Aproximei-me com um pano macio e acarinhei a cabecinha
Coloquei-o em um lugar seguro onde fosse mais fácil achar o caminho pra casa
Despedi-me dizendo:
"Passou, passarinho! Passou!"

Clara Mítia (Tianguá, 20 de março de 2014)

Passou passarinho! Passou! Tianguá (março de 2014).


quarta-feira, 19 de março de 2014

As mãos do Carpinteiro


Quem entalha madeira não tem mãos apressadas
Respeitando, escuta dela o formato que tomará
Talha daqui, talha dali e, pacientemente, observa suas formas
Se vai tornar-se uma mesa, uma porta ou um sacrário, é
 a madeira quem vai dizer
É ele quem vai escutar

O Carpinteiro José não tinha pressa
Acredita-se que em suas mãos pacientes foram entregues um Sacrário e o maior Tesouro que visitou a humanidade
Na simplicidade da vida, uma surpresa
Sua Maria, que também era de Deus, ganhara outra forma
Não sei se era isso o que ele esperava, mas sabia ele que, a mesma madeira que ele entalhava, quando tocada pelo Divino, já não era mais madeira, mas era tão divina quanto Quem a tocou

Um Tesouro nas mãos do Carpinteiro
Sob seus cuidados, precisando do colo que ele também amava

Seria necessário alguém que o ensinasse a entalhar almas, a sarar as fissuras da madeira e do coração
Alguém que o ensinasse a tocar com devoção o solo que se tornou Santo depois que Deus decidiu visitar a Humanidade

Clara Mítia (Sobral, 19 de março de 2013. Dia de São José)




quarta-feira, 12 de março de 2014

Espero

Ah, esperança!
Nos desatinos dos meus dias, tu sempre vens pra me regar...


Projeto Cabra Nossa de Cada Dia em São Domingos, Sobral/CE (junho de 2013). Iniciativas assim me fazem ter esperança na humanidade. Homenagem fundador Pe. Joãozinho e aos coordenadores Jorge e Selma, pessoas queridas que carrego no coração.





terça-feira, 11 de março de 2014

Dona Maria Amália


Sempre gostei de encher a boca pra falar o nome dela: Maria Amália.
Tenho certeza de que o meu riso frouxo vem dessa senhora de pele negra e cabelos brancos.


Sentar-me ao lado de sua rede para ouvir suas histórias sempre foi um prazer muito meu.
Gosto do cheiro dela, do abraço, do aconchego e da calma de quem já viveu muito.
Gostoso também é saber que eu sempre coube em seu abraço!

 
Ela que ama dobrado!
Ama os netos que a visitam, ama ainda mais os quatro que ela criou.
E fala de cada um com orgulho e beija nossas cabeças forma especial, como se quisesse nos colar no peito para não mais sairmos de lá.

Pra cada filho, uma estrofe do Ofício de Nossa Senhora.
Pra cada neto, uma oração, um carinho, uma história pra contar.
Muitas histórias pra contar!


Clara Mítia (Tianguá, 11 de março de 2014. Dona Maria Amália!)

Ela fez questão se se arrumar no dia da minha formatura (agosto de 2009).


segunda-feira, 10 de março de 2014

Bem casado

Porque a felicidade é um docinho que a gente come sorrindo e rezando para não acabar.

Casamento da Vivi e do Bruno em Viçosa/CE (maio de 2013)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Arvorear

É sagrado!
Não gosta do meu amigo? 

Não gosta de mim e pronto!

Feliz de quem entendende que quando a gente ama, a gente cria raízes no coração do outro.
Essas raízes entrelaçadas deve ser o que incomoda nos que não as possuem.

A gente arvoreia junto, a gente cresce junto, a gente bebe, às vezes, da mesma fonte!

Amo os meus amigos exatamente pelo excede neles e pelo que ainda falta.
Amo pelo mistério que nos torna almas tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes.
Amo sentir vontade daquela presença que, hora pode ser saciada, hora não.
Amo a capacidade de destruir velhos conceitos, e de, ao mesmo tempo, esperar-me do lado de fora do túmulo gritando: "Ressuscita!"
Amo meus amigos por lerem minhas entrelinhas, o que diz minhas histórias mal contadas, minha voz embargada, meu coração prestes a sair pela boca.
Amo quando devolvem meus sonhos e quando me dão novos pra sonhar!

Amo o desinteresse, a falta de cobranças como se fosse um velho sempre novo.
Amo poder ser eu mesma, sem máscaras. Confessar meus desejos secretos, minhas ânsias, meus medos mais tenebrosos...
 

Amo ter amigos. 
Poucos, mas o suficiente para permitir minha inconveniência de enraizar.
Na paciência para construir e dar sentido ao que ainda não tem.
Na ausência de nomes, pois a gente se reconhece... 

Sempre...

Clara Mítia (Sobral, 07 de fevereiro de 2013).



terça-feira, 4 de março de 2014

Coca-Cola

Riso frouxo e janela nos dentes.

Sabe aquela desculpa esfarrapada de que a gente briga mas a gente se ama?
Chega mais Coquinha!
Aqui em casa é bem verdade!
Com o título de minha abusada favorita, ainda estou pra conhecer alguém mais força na vida do que ela.
Desde que nasceu, aquele pingo de gente de 1,1 kg nunca parou no que disseram ao seu respeito. 

Ela desafiou a todos, até a bandida da morte!
Os pés que não a obedeciam, ela os submeteu!
A risada frouxa ela desenvolveu para marcar espaço.
A cara zangada também!

Mas só ri frouxo quem não tem medo do desafio de ser o que se é.
Só estica o sorriso quem não para na casca, quem sabe o que tem dentro do peito pra mostrar.

Ela sabe que é uma Coca-Cola!  
E eu concordo, minha Coquinha! 

Clara, sua abusada favorita! (Sobral, 11 de junho de 2013. Aniversário da Coquinha) 


Casa

Porque a felicidade e o amor moram na casa da simplicidade...





domingo, 2 de março de 2014

Amor inútil (Parte II)

Tão "simpático"! (Março de 2014)

Ele não ficou no lugar do Tom.
Ele tem um espaço só dele na casa, no alto da minha estante de livros, no tapete do banheiro, no meu coração.

 
O que ele ainda não tem é um nome.
Dos quatro meses que está aqui Xanim, Tanim, Bichano ou Totó, nenhum nome nele se firma.
Eu não me importo.
Acho que ele tem cara de Agnaldo, por que é inconveniente sempre.


Chego de viagem, ele está dormindo entre os meus livros favoritos, o lugar que tenho mais ciúmes na casa inteira.
Ele brinca de esconde-esconde onde guardo as sandálias mais caras, embaixo dos travesseiros de quem tem rinite e atrás da tela do meu computador.
Para isso escolhe os piores horários do dia. Exatamente quando o cansaço é quase invencível, ele está lá, desafiando todo e qualquer comando de obediência.
Ele come meus cactus, dorme em cima das mudas recém plantadas e mastiga minhas samambaias.
Ele adora dormir no tapete limpo do banheiro após a faxina.
Ele gosta de escalar as pernas das visitas nos matando de orgulho ou vergonha. Depende do humor do dia.
 

Eu reclamo, ele mia.
Eu pergunto alguma coisa, ele mia.
Eu mostro a lua, ele mia também.
A gente gosta de conversar.
 

Se eu chamo: "Agnaaaaaaaaldo!" Ele não atende.
Mas se eu chamo: "Xaaaaniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!"
Lá vem!

Clara Mítia (Sobral, 02 de março de 2014. Rinite atacada. Motivo? Agnaldo!)



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