
Não,
O mundo não é um lugar confortável.
Vejo os espinhos sufocando a semente,
a voz clamando no deserto,
vejo o sangue dos meus misturando-se à poeira do chão.
O desconforto trava minha garganta e o que chove pelos meus olhos é pouco demais pra matar a sede de alguém.
Por vezes o deserto do mundo faz aridez no meu peito.
Não consigo produzir beleza.
Só tenho palavras retirantes, famintas e sedentas, buscando um sentido para estarem nessa existência e só.
Qual segredo esconde-se na terra ressequida?
Hoje meu pequeno mandacaru floriu novamente.
Sigo tentando aprender com ele que faz brotar a vida em forma de prece para os irmãos...
Clara Mítia (Sobral, 12 de agosto de 2014. Quando a dor do mundo enraíza dentro do peito também...)
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