domingo, 26 de janeiro de 2014

Em minhas divagações

Em um lugar onde todos tem pressa, eu tento me demorar. 
Tento me demorar no sorriso de uma criança, na flor que desabrocha, no olhar de quem cruza com o meu. 
Tento me demorar em mim, em minhas dúvidas, em meus sonhos e assim me devolvo, me relembro, me refaço…
É a lua que desponta no horizonte e lembro que meus amores também a contemplam na Terra da Luz. 

É a constelação de Órion que teima em vencer o céu turvado pela poluição, e lembro que sinto falta do Cruzeiro do Sul tão vistoso da minha janela, lá em casa…
Eu vou seguindo e tentando fazer poesia com as luzes da Paulista. 

Dos sons do metrô tento tirar uma melodia a cada dia e com os encontros e desencontros vou juntando acordes e acordando para o que a vida tem pra me mostrar. 
São as minhas mãos que tocam o mesmo lugar de tantas outras mãos. 
É suor e lágrima, e eu pergunto para onde vamos…
E o Sol vem me dar bom dia na Terra da Garoa, aquecendo minha alma morena que tem cheiro de praia e sertão. 

Vou ganhando jogo de cintura ao lidar com a saudade, com a vontade de voltar para o ninho… 
Vou abrindo os braços e peço à vida que me tire pra dançar. 
E a vida vai me conduzindo, vai dando forma aos meus passos outrora vacilantes e vou enxergando o quanto sou capaz. 
Vou tocando minha própria melodia e dançando em meu próprio ritmo. 
Vou dando nome aos sentimentos anônimos, casa aos sonhos desabrigados e de repente tudo fica calmo, claro, em seu lugar…

Clara Mítia (São Paulo 30/08/2012)






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