Em um lugar onde todos tem pressa, eu tento me demorar.
Tento me
demorar no sorriso de uma criança, na flor que desabrocha, no olhar
de quem cruza com o meu.
Tento me demorar em mim, em minhas dúvidas, em
meus sonhos e assim me devolvo, me relembro, me refaço…
É a lua que desponta no horizonte e lembro que meus amores também a contemplam na Terra da Luz.
É a constelação de
Órion que teima em vencer o céu turvado pela poluição, e lembro que
sinto falta do Cruzeiro do Sul tão vistoso da minha janela, lá em casa…
Eu vou seguindo e tentando fazer poesia com as luzes da Paulista.
Dos
sons do metrô tento tirar uma melodia a cada dia e com os encontros e
desencontros vou juntando acordes e acordando para o que a vida tem pra
me mostrar.
São as minhas mãos que tocam o mesmo lugar de tantas outras
mãos.
É suor e lágrima, e eu pergunto para onde vamos…
E o Sol vem
me dar bom dia na Terra da Garoa, aquecendo minha alma morena que tem
cheiro de praia e sertão.
Vou ganhando jogo de cintura ao lidar com a
saudade, com a vontade de voltar para o ninho…
Vou abrindo os braços e
peço à vida que me tire pra dançar.
E a vida vai me conduzindo, vai
dando forma aos meus passos outrora vacilantes e vou enxergando o quanto
sou capaz.
Vou tocando minha própria melodia e dançando em meu próprio
ritmo.
Vou dando nome aos sentimentos anônimos, casa aos sonhos
desabrigados e de repente tudo fica calmo, claro, em seu lugar…
Clara Mítia (São Paulo 30/08/2012)

Nenhum comentário:
Postar um comentário