domingo, 2 de março de 2014

Amor inútil (Parte II)

Tão "simpático"! (Março de 2014)

Ele não ficou no lugar do Tom.
Ele tem um espaço só dele na casa, no alto da minha estante de livros, no tapete do banheiro, no meu coração.

 
O que ele ainda não tem é um nome.
Dos quatro meses que está aqui Xanim, Tanim, Bichano ou Totó, nenhum nome nele se firma.
Eu não me importo.
Acho que ele tem cara de Agnaldo, por que é inconveniente sempre.


Chego de viagem, ele está dormindo entre os meus livros favoritos, o lugar que tenho mais ciúmes na casa inteira.
Ele brinca de esconde-esconde onde guardo as sandálias mais caras, embaixo dos travesseiros de quem tem rinite e atrás da tela do meu computador.
Para isso escolhe os piores horários do dia. Exatamente quando o cansaço é quase invencível, ele está lá, desafiando todo e qualquer comando de obediência.
Ele come meus cactus, dorme em cima das mudas recém plantadas e mastiga minhas samambaias.
Ele adora dormir no tapete limpo do banheiro após a faxina.
Ele gosta de escalar as pernas das visitas nos matando de orgulho ou vergonha. Depende do humor do dia.
 

Eu reclamo, ele mia.
Eu pergunto alguma coisa, ele mia.
Eu mostro a lua, ele mia também.
A gente gosta de conversar.
 

Se eu chamo: "Agnaaaaaaaaldo!" Ele não atende.
Mas se eu chamo: "Xaaaaniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!"
Lá vem!

Clara Mítia (Sobral, 02 de março de 2014. Rinite atacada. Motivo? Agnaldo!)



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