segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O forró na Terra da Luz


Nasci na Terra da Luz,
Talvez seja por isso que tenho uma paixão imensa pelo Sol ciumento.
Gosto de aliviar o calor tão característico banhando-me nos Verdes Mares.
Apareço e desapareço diante da chuva feito a Caatinga e
Ainda levo uma crença boba de que Deus é Sanfoneiro e eu danço... 


A sanfona é o instrumento que mais fala comigo,
Ora ela ri, ora chora.
Ela é tão imponente e ao mesmo tempo tão desajeitada que, na sua humildade, quer depender das mãos delicadas e habilidosas do sanfoneiro para rir ou chorar...
Deus é Sanfoneiro!
E Nordestino é o povo mais feliz do Brasil! 


Nordestino que não sabe arrastar o pé no pé-de-serra é peixe fora d’água, pássaro novo caído do ninho.
Nordestino que não gosta de um bom forró não sabe o que é calar as dores da alma no choro da sanfona.
E não há nada mais gostoso nessa vida que dançar de rosto colado com quem se gosta.
Não tem suor nem pisada de pé que atrapalhe. 


E que me desculpe o forró eletrônico “das atualidades”.
Pra mim, forró arroxado mesmo é aquele que se faz só com zabumba, triângulo e sanfona, e que não precisa de muito acorde de guitarra nem acrobacias para dançar. 


Acho que Nordestino aprendeu a tirar da simplicidade da terra seca, da vegetação escondida na escassez, um motivo para acreditar que uma hora a chuva vem.
E assim ele canta e dança arrastando o pé, o que pode ser num salão ou num chão de terra batida.
O que importa mesmo é a capacidade de se mover conforme a música, de aceitar a condução da vida e a sabedoria de fazer até da seca, um florescer de alegria e esperança. 


E viva o Povo Nordestino!
E viva o choro, a alegria e a esperança traduzidos no fole da sanfona!
E... vamos dançar Forró?"


Clara Mítia (Sobral, 17 de novembro de 2013. Texto escrito a pedidos de minha amiga da Girassol Danças, paulista de nascença e nordestina de coração, Kelly Vaz)


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